Mostrando postagens com marcador Versos e Prosas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Versos e Prosas. Mostrar todas as postagens

Um possível conto

“Ela não entendia e resolveu perguntar:
- Em qual momento vocês se divertem?
O menino respondeu:
- Não sei. Talvez quando dançamos na colheita, corremos na caça, cantamos na construção da casa ou quando sentimos a mística dos rituais.
Os dois se olharam e depois de algum tempo o menino perguntou:
- E vocês quando se divertem?
A menina rapidamente disse:
- Nos finais de semana, no shopping, nas compras, nas festas, com brinquedos e outras coisas.
Depois disto continuaram se olhando... O menino indígena de um lado e a menina da cidade do outro.”

Um possível conto. Gustavo Azevedo.

Valor de troca: quem aceitou?

"o beijo ainda é um sinal, perdido embora,
da ausência de comércio,
boiando em tempos sujos."
Carlos Drummond
É evidente que me pergunto
Quanto custa isso e aquilo?
E um insano responde com firmeza o valor disso e daquilo
Insano porque sua firmeza baseia-se na moeda

Por que quase todas as coisas a cada dia que passa tem valor de troca?
Quem estipula isso?
Quem estipulou pela primeira vez um valor para alguma coisa?
E quem aceitou?

No fundo nada tem valor de troca
Quanto custa um abraço?
Quanto custa uma emoção?
Quanto custa um pensamento?

Tudo que não tem valor de troca me encanta
Uma nova amizade e as antigas
Um novo amor e os antigos
A vida

Letras formando uma imagem

Aqui não tem rascunho
Aqui não tem correção
Daqui sairá a mais bruta imaginação
Palavras ao léu em busca de uma explicação

Não me arrisco em decifrá-las
Deixo navegar pela zona literal-cerebral
Onde as palavras são imaterias (quando não são?)
Confundidas com a ficção

Nesta zona tudo pode acontecer
Pode se formar a mais bela imagem virtual
Com apenas um pote de letras sem o que fazer

Náufrago por opção


Um mosquito pousa no meio do Oceano Pacífico
Ficando imóvel por várias horas
Não sabendo se é pela admiração da vastidão
Ou pelo frio da tempestade neste horizonte
Ou pela solidão que, se encontrava naquela região
Pois, este mosquito está no maior Oceano do Planeta
quissa do Universo
Sente-se como um barco não avistando terra firme
Prestes a naufragar
Então imagina que teve diversos continentes para estar
Mas preferiu o Oceano, que o atraiu
Este, mosquito, não quis parasitar num animal
Preferiu parasitar de si mesmo, alimentando-se de solidão
Não se movia...
Porque tinha a sã consciência da sua escolha
Não estava para a América e nem para Ásia/Oceania
Para o pólo Sul ou Norte
Se encontrava bem no meio
De onde surgiu a vida
Talvez procurando o propósito de estar ali
Parecia inofensivo e frágil

Encontrava-se perto da legenda
Do meu globo terrestre.

Felicidade Eterna

Felicidade eterna
que nunca tem um fim
mostra-me teu caminho
mesmo sendo árduo
irei até o fim

Neste caminho
caminha-se com extrema delicadeza
observando o percurso
preparado para qualquer surpresa

Confuso estará
este caminho
com atalhos para lá e para cá
que embaraçam a minha vida

Atalhos que levam
a contra-mão
ou,
na imensidão

Felicidade eterna
percorri, percorro, percorrerei
em busca de tu
sempre estarei
e no caminho
te encontrarei